Antes de começar a falar sobre o festival, destaco que não fui. E, por isso, o leitor não estará completamente enganado se concluir que o post é um mero desabafo de um fã de música (e também de shows) que ficou de fora. Há, claro, esse desabafo, mas o que tento expor aqui é mais que isso: é o quão mal organizados os shows aqui no Brasil são, especialmente festivais.
Rage Against The Machine, tocando Testify, antes do Multishow cortar a exibição do show
Começarei o desabafo pelo o viés ambiental que o festival tentou adquirir: SWU significa Starts With You e, mais uma vez, tentou se passar para você a respostabilidade pela merda que o planeta está. Acontece que nem eu nem ninguém, individualmente, somos culpados ou podemos começar algo que realmente vá mudar o planeta ambientalmente. Podemos fazer nossa parte, mas mudar depende de algo muito maior que não vou entrar em discussão aqui.
E, com essa justificativa, veio o último dos roubos anunciados pelo SWU: o estacionamento de 50 reais, num local afastado dos shows. Justificativa: incentivar o transporte público. Mais especificamente os ônibus do próprio evento, que, pela "bagatela" de 30 reais faziam o trajeto São Paulo - Fazenda Maeda.
Joss Stone e seu Super Duper Love, no 2º dia do SWU
Antes desse roubo, porém, houveram os outros: o acampamento, por exemplo. Com a sustentabilidade como mote, você podia escolher gastar pelo menos 100 reais por pessoa pra ter um espaço (razoavelmente afastado dos shows, inclusive), onde, dentre outras regras, estava a de banhos de no máximo 7 minutos. Desconforto total: nem a barraca era oferecida!
Outra sustentabilidade promovida pelo evento devia ser a da economia. Afinal, para sobreviver na Fazenda Maeda por três míseros dias você precisava ser um bom economista (ou ter a sorte de ser uma pessoa que não precisa se alimentar nem beber água para sobreviver). A água custava 4 reais e o lanche mais barato (e também o mais porcaria) custava 10 reais. Detalhe importante: era proibido levar comida pronta para dentro do espaço!
Kings Of Leon, headliner do 2º dia do SWU, tocando Sex On Fire
Faça as contas: 30 reais pra ir + 100 reais pra se hospedar + 25 reais pra comprar 5 águas + 100 reais pra comprar 10 lanches. Ah, tem também o preço do ingresso: como qualquer produtor espertinho, eles dividiram a pista em duas partes: uma perto do palco, para os mais bem afortunados, a preços estratoféricos (640 reais a inteira); outra, afastada, por preços troposféricos: "apenas" 240 reais. Não posso esquecer: estes preços são pra UM dia de fesival. Quem fosse nos três tinha promoção: apenas 1680 reais perto do palco e 570 reais a pista ralé.
Acho que agora você entendeu o porquê da minha ausência na Fazenda Maeda entre os dias 9 e 12 de outubro, né, leitor?
Incubus tocando Anna Molly no 3º dia do SWU
Ressalto, porém, que o line-up era decente e bem distribuido: conseguiram colocar pelo menos uma banda boa por dia e pelo menos uma banda ruim por dia! Pra ver Rage Against The Machine, por exemplo, você não tinha como escapar de Los Hermanos. Pra ver o show do Queens Of The Stone Age, você tinha que aturar 1 hora de Avenged Sevenfold...
E você sabe como é festival, né? Você vai pra festival pra ver um pedaço do show de sua banda favorita, no meio de gente que não está nem aí (foram pra ver outros shows) e, provavelmente, ou você assiste longe do palco ou esmagado. Isso sem contar os imprevistos: o Rage Against The Machine, por exemplo, teve de parar o show três vezes; o Queens Of The Stone Age fez um show minúsculo, com uma hora de atraso; e por aí vai...
O Queens Of The Stone Age fechou o SWU com um show menor que o previsto
Enfim, pelo menos a gente, que não foi, pôde assistir os shows confortavelmente em casa (até alguém da banda colocar o boné do MST, pelo menos), seja pela TV aberta, seja pela TV paga, seja pelo Youtube. Os vídeos que recheiam este post, aliás, foram retirados do Youtube. Bom SWU pra você também! =D
