8 de outubro de 2007

Um livro didático do bem ou do mal?

Recentemente, o jornal O Globo publicou um artigo do sr. Ali Kamel (funcionário do alto escalão da Rede Globo), o qual atacava ferozmente o livro do sr. Mario Schmit, dizendo que o livro era imparcial e que apoiava regimes ditatoriais, principalmente os de esquerda. Poucos dias depois, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo, os dois maiores jornais da mais populosa capital do país, também publicaram textos que atacavam o livro e seu autor. O MEC, devido às pressões desses e de outros meios de comunicação, resolveu adotar a proibição do uso do livro por professores.

Eu, sinceramente, nunca utilizei o livro, porém, já aprendi que não devo confiar muito em opiniões da grande mídia, pois quase todas se resumem apenas em decidir o que lhes é ou não lucrativo, seja capitalmente falando, seja ideológicamente falando. Portanto, fui atrás de alguns relatos, confiáveis, de quem já usou o livro.

Pretendo ser imparcial e, portanto, não postarei o texto, trechos dele, de autoria do sr. Ali Kamel, nem os veiculados na Folha e no Estado. Eles já tiveram divulgação e circulação demais. O primeiro texto desse post é de um professor, do Rio de Janeiro, que utiliza este livro. O segundo texto é de um amigo meu, também do Rio de Janeiro, que utilizou esse livro em sua passagem pelo 1º grau. O terceiro texto, por fim, reflete a opinião de um grande amigo meu, que também utilizou o “Nova História Crítica”, e que atualmente é filiado ao P-SoL. Por fim, a resposta do autor aos jornais que o criticaram e à sua obra.

"Nova História Crítica" - Carta aberta ao "O Globo"
WALLACE CAMARGO

Sobre a veiculação pelo jornal “O Globo” de críticas ao livro “Nova História crítica”, gostaria de fazer algumas ponderações.

Em primeiro lugar, digo que o “Stalinismo” deve ser combatido em qualquer espaço como o “irmão” siamês do nazismo ou de qualquer doutrina que pregue ódio e seja responsável pela morte de um ou de milhões de seres humanos, como é o caso destes sistemas citados.

Pois então vejamos, que a crítica baseada em “erros conceituais” não existe. O que ocorre é que este autor desenvolve em uma linguagem adequada à idade dos jovens, a crítica a uma maneira de ver a História de forma neutra, perfil da grande maioria dos livros didáticos disponíveis no mercado.

Quando o autor abre espaço para a comparação de conceitos sobre o Socialismo e Capitalismo, fica clara a dificuldade em demonstrar as vantagens do sistema hegemônico nos dias de hoje. Aliás, é possível verificar a partir de dados oficiais, que o sistema capitalista não conseguiu em seus mais de quinhentos anos, solucionar os problemas mais básicos da humanidade, como a fome e todas as suas mazelas sociais, em qualquer parte do planeta.

Os argumentos utilizados pelo jornal são frágeis, e uma leitura atenta a reportagem do dia 19 de setembro, permite até mesmo aos não informados sobre a querela, encontrar contradições. Como na própria citação sobre Mao Tse Tung, que para o jornal o autor demonstra enaltecimento, fala que este, para os não membros do partido comunista, Mao Tse Tung não passa de um ditador.

Utilizo este livro didático há alguns anos, como milhares de outros professores e posso afirmar que não há erro conceitual ao demonstrar simpatia a um tipo de interpretação histórica.

É preciso apresentar o fato histórico sobre todos os pontos de vista, o que o livro faz, mas não é possível incorrer no gravíssimo erro de acreditar que exista neutralidade científica, nem mesmo no jornalismo isto é possível.

O ensino de História enquanto disciplina escolar no Brasil, sempre se baseou na mera descrição de fatos Históricos, apresentados enquanto verdade absoluta e tentando fazer crer que as personalidades históricas são grandes Heróis e os representantes político-institucionais são apresentados como os únicos agentes ou sujeitos da História.

Dentre alguns dos grandes méritos do “Nova História crítica” é o de demonstrar que os marginalizados do processo político brasileiro podem deixar a sua condição de “subordinados” ou “vencidos” , à condição de atores sociais protagonistas do processo histórico em construção, em busca da cidadania plena.

É preciso esclarecer que um livro didático é uma das muitas ferramentas da formação escolar, mas não é a mais importante, pois se fosse decisivo para detectar qualidade de ensino, certamente aquelas escolas que se utilizam do mesmo material, teriam a mesma proporção de qualidade de ensino, o que não é verdade que aconteça.

Chego a pensar que a polêmica possa estar sendo motivada por uma possível insatisfação de editoras multinacionais que dominam o mercado de livros didáticos brasileiros, com o espaço alcançado pela obra publicada por uma editora nacional de menor tamanho. Será que é correto para a formação da juventude brasileira, ter uma parte de nossa cultura nas mãos do Capital estrangeiro?

Alguns setores conservadores da sociedade brasileira como os “Monarquistas” já demonstraram há alguns anos sua insatisfação com a abordagem do autor, ao demonstrar a incoerência do regime monárquico, onde uma nação trabalha para que alguns vivam às expensas daqueles que são produtivos.

O que faz esta polêmica alcançar duas páginas de um dos maiores jornais do país, mais um artigo de um escritor, e mais um comentário do cineasta Arnaldo Jabour?

Será a preocupação sincera com a qualidade da educação no Brasil? Acredito que as afirmações (e não o debate que até agora não houve) estejam pautadas na intolerância, pelo fato do autor Mario Shimidt demonstrar as contradições de um sistema que politicamente e moralmente está desgastado, e economicamente não é capaz de promover à ascensão dos bilhões de deserdados e excluídos da festa capitalista que reproduz diariamente trilhões de dólares às custas da fome , das mazelas sociais e do esforço dos trabalhadores.

Preciso dizer que não conheço o autor, nem possuo nenhum tipo de relacionamento com a editora. A escola privada em que utilizo este material didático de ótima qualidade, inclusive resolveu há mais de um ano se associar a uma grande rede educacional do Rio de Janeiro que produz seu próprio material didático promovendo a substituição dos livros em todas as disciplinas.

Como educador me preocupo com as “verdades” supostamente absolutas veiculadas pelos meios de comunicação de massa, como a TV, com uma programação que deseduca, na medida em que vincula sua programação ao consumismo e a apatia, frente aos descalabros da política institucional, legitimando este sistema que já dá sinais de esgotamento.

A escola brasileira não possui a qualidade que sonhamos, mas não por causa dos seus educadores, em sua grande maioria comprometidos com aquilo que acreditam ser o melhor, não por causa deste ou de qualquer material didático, mas por uma série de fatores dentre os quais destaco, a falta de investimento público, a má formação docente e principalmente, pela associação do seu currículo aos “nobres” desejos do mercado.

Não defendo o livro por mera simpatia, mas defendo-o por uma concepção de educação que não esteja amarrada a “visão de mundo” dominante.

O educador Paulo Freire dizia que “a cabeça do oprimido contém a cabeça do opressor”, e é para que isto não continue acontecendo, que eu desejo que pelo menos, o espaço nos meios de comunicação não seja desproporcional.

Wallace Camargo, 37, é professor de história no Rio de Janeiro.

Nova história Crítica.
ALEXANDRE CRUZEIRO

Nova história crítica é um livro didático que é famoso pelo seu grande sucesso entre os professores e escolas. Há pouco tempo atrás, o livro foi alvo de críticas pelo famoso jornal O Globo (das corporações Globo). A grande corporação atacou o livro com duras críticas que, na minha opinião, foram infundadas.

O livro tenta ensinar de um modo diferente, sem aquelas datas enfadonhas dos livros costumeiros de história. O livro faz o aluno pensar, refletir, sem aquela decoreba chata de sempre. Talvez por isso o livro tenha chamado tanta atenção dos professores no Brasil, afinal, a escola deve ensinar a compreender o mundo e não a ser mais uma marionete sem pensamentos próprios.

As críticas da Globo foram injustas com o conteúdo do livro. Diferente de uma reportagem verdadeiramente jornalística, o conteúdo foi seletivo e tendencioso às metas do jornalista. O Autor foi acusado de comunista, porque não conseguiu se manter imparcial ao impasse comunismo x capitalismo, também, pudera, como é possível demonstrar imparcialidade quando um dos participantes é o sistema decrépito, hegemônico dos dias atuais. Acusou também de proteger a Stálin e Mao-Tse-Tung, dizendo que o autor afirmou que esses foram populistas.

O texto talvez tenha sido tendencioso, não por vontade de alienar os pequerruchos, mas sim por não ter como ser educativo, da maneira que ele se propõe, e ao mesmo deixar de lada todo e qualquer tipo de opinião pessoal.

Sendo assim, essa perseguição, não pode ser mais do que por razões próprias da toda poderosa, sem pensar na educação dos jovens.

Alexandre Cruzeiro, o Bugs, 16 anos, do Rio de Janeiro, é estudante do Ensino Médio.

A “Nova História Crítica” e a crítica da velha elite
MAX LUIZ GIMENES

Em um artigo repugnante – que mais parecia um choramingo direitista – publicado no jornal “O Globo” (18/9/2007), Ali Kamel dedicou-se a atacar o livro “Nova História Crítica – 8ª série”, de Mario Schmidt. Retirou do contexto uma série de trechos, classificados por ele como “os piores”. Um deles apresentava um quadro comparativo entre o capitalismo e o ideal marxista. O quadro, muito bem elaborado pelo professor Mario e execrado pelo jornalista, mostra também o que aconteceu no chamado “socialismo real”, sem poupar críticas. Pequeno detalhe que o jornalista global “esqueceu” – ou omitiu para poder, assim, apresentar o livro como uma cartilha marxista para doutrinar criancinhas inocentes. A verdade às vezes dói e a apresentação integral do quadro, por si só, esvaziaria as acusações apaixonadas feitas por Kamel.

As Organizações Globo – corretamente criticadas no livro por seu histórico de manipulações políticas – não deixaram barato e pressionaram o Ministério da Educação (MEC), que veio a público anunciar que vetou a participação da obra no PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que oferece ao professor de escola pública uma lista de livros para que este adote o que considerar melhor, ficando o governo responsável pela compra e distribuição. Cerca de 50 mil professores de todo o país, das redes pública e privada, já escolheram a coleção “Nova História Crítica”, tornando-a um verdadeiro sucesso. A atitude do MEC, ao reprovar a obra em sua avaliação, atentou contra todos os princípios de liberdade: a de escolha, a de expressão e, sobretudo, a de se poder aprender e refletir sobre os acontecimentos históricos de maneira independente e crítica, indo muito além da “decoreba” de nomes e datas importantes – como querem os defensores desse obsoleto modelo tradicional.

Após o “O Globo” trazer a polêmica acerca do livro à tona, os outros grandes jornais, como “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”, endossaram as críticas de Ali Kamel. Supostamente em nome da verdade e da liberdade, esses veículos repetiram os trechos apresentados por Kamel e, de maneira irresponsável, desqualificaram um valoroso trabalho. O modo superficial e manipulador com que a questão foi tratada é assustador. Os meios de comunicação já citados apontaram erros de português no livro, que podem até existir, um aqui e outro acolá; erros que vez por outra também freqüentam as páginas desses mesmos jornais. Entretanto, erros de português podem ser corrigidos em uma próxima edição. O que mais chama a atenção é a coragem de, sem uma leitura integral prévia, os jornais acusarem o livro de conter erros conceituais, o que é uma mentira daquelas que só se consegue contar quando se tem uma enorme cara-de-pau ou um sangue demasiado frio.

Ah, a liberdade. Fundamento tão citado como a principal qualidade da sociedade capitalista. Mas que liberdade é essa, senão a plena liberdade de se calar e obedecer às predeterminações da fraterna e intuitiva elite política e econômica? Pois é. A elite determina, o povo cumpre e a roda da história continua a girar. É assim que prega a hipócrita e pretensamente democrática cartilha liberal-burguesa. Atender ao predeterminado, ser conivente com a sociedade injusta que aí está é ser imparcial; desafiá-la, julgá-la ou mesmo colocá-la sob uma simples análise crítica é ir contra a democracia, é ser tendencioso. E foi exatamente assim que aconteceu no caso do livro do professor Mario. (Que previsíveis se tornaram os burgueses... Onde estará a criatividade capitalista, geralmente atribuída à premissa – um tanto desumana – da competição?).

A obra em questão é extremamente didática – ao contrário do que disse a “Folha de São Paulo” em editorial chamado “A lata de lixo da História” (20/9/2007). Contém charges, gráficos, ilustrações e outros recursos que facilitam a compreensão do período estudado e que dificilmente são vistos em outros livros. E, o que é mais importante, não há nele a pretensão de ser o dono da verdade. É com humildade que Mario Schmidt escreve, logo nas primeiras páginas, que o livro poderia ter sido escrito de outra maneira, tão válida quanto a dele. E deixa o alerta: “Por isso, nunca se esqueça de que duvidar e questionar são atividades muito saudáveis”. Se os jornalistas envolvidos nas matérias e editoriais sobre a obra “Nova História Crítica” tivessem se dado o trabalho de ler – ao menos – as dez primeiras páginas do livro, certamente teriam aprendido muito. E, quem sabe, escrito muito menos bobagens.

Max Luiz Gimenes, 19, é estudante de Relações Internacionais e filiado ao P-SoL.

O Livro Didático que a Globo quer Proibir
MARIO SCHMIDT e EDITORA NOVA GERAÇÃO

A respeito do artigo do jornalista Ali Kamel no jornal O Globo de 18 de setembro de 2007 sobre o volume de 8a série da obra Nova História Crítica, de Mario Schmidt, o autor e a Editora Nova Geração comentam:

Nova História Crítica da Editora Nova Geração não é o único nem o primeiro livro didático brasileiro que questiona a permanência de estruturas injustas e que enfoca os conflitos sociais em nossa história. Entretanto, é com orgulho que constatamos que nenhuma outra obra havia provocado reação tão direta e tão agressiva de uma das maiores empresas privadas de comunicação do país.

Compreendemos que o sr. Ali Kamel, que ocupa cargo executivo de destaque nas Organizações Globo, possa ter restrições às posturas críticas de nossa obra. Compreendemos até que ele possa querer os livros didáticos que façam crer "que socialismo é mau e a solução para tudo é o capitalismo". Certamente, nossas visões
políticas diferem das visões do sr. Ali Kamel e dos proprietários da empresa que o contratou. O que não aceitamos é que, em nome da defesa da liberdade individual, ele aparentemente sugira a abolição dessas
liberdades.

Não publicamos livros para fazer crer nisso ou naquilo, mas para despertar nos estudantes a capacidade crítica de ver além das aparências e de levar em conta múltiplos aspectos da realidade. Nosso grande ideal não é o de Stálin ou de Mao-Tsé Tung, mas o de Kant: que os indivíduos possam pensar por conta própria, sem serem guiados por outros.

Assim, em primeiro lugar exigimos respeito. Nós jamais acusaríamos o sr. Kamel de ser racista apenas porque tentou argumentar racionalmente contra o sistema de cotas nas universidades brasileiras. E por isso mesmo estranhamos que ele, no seu inegável direito de questionar obras didáticas que não façam elogios
irrestritos à isenção do Jornal Nacional, tenha precisado editar passagens de modo a apresentar Nova História Crítica como ridículo manual de catecismo marxista. Selecionar trechos e isolá-los do contexto talvez fosse técnica de manipulação ultrapassada, restrita aos tempos das edições dos debates presidenciais na tevê. Mas o artigo do sr. Ali Kamel parece reavivar esse procedimento. Ele escolheu os trechos que revelariam as supostas inclinações stalinistas ou maoístas do autor de Nova História Crítica. Por exemplo, omitiu partes como estas: "A URSS era uma ditadura. O Partido Comunista tomava todas as decisões importantes. As eleições eram apenas uma encenação (...). Quem criticasse o governo ia para a prisão. (...) Em vez da eficácia econômica havia mesmo era uma administração confusa e lenta. (...) Milhares e milhares de indivíduos foram enviados a campos de trabalho forçado na Sibéria, os terríveis Gulags. Muita gente foi torturada até a morte pelos guardas stalinistas..." (pp. 63-65)

Ali Kamel perguntou por onde seria possível as crianças saberem das insanidades da Revolução chinesa. Ora, bastaria ter encotrado trechos como estes: "O Grande Salto para a Frente tinha fracassado. O resultado foi uma terrível epidemia de fome que dizimou milhares de pessoas. (...) Mao (...) agiu de forma parecida com Stálin, perseguindo os opositores e utilizando recursos de propaganda para criar a imagem oficial de que era infalível." (p. 191) "Ouvir uma fita com rock ocidental podia levar alguém a freqüentar um campo de reeducação política. (...) Nas universidades, as vagas eram reservadas para os que demonstravam maior desempenho nas lutas políticas. (...) Antigos dirigentes eram arrancados do poder e humilhados por multidões de adolescentes que consideravam o fato de a pessoa ter 60 ou 70 anos ser suficiente para ela não ter nada a acrescentar ao país..." (p. 247)

Os livros didáticos adquiridos pelo MEC são escolhidos apenas pelos professores das escolas públicas. Não há interferência alguma de funcionários do Ministério.

O sr. Ali Kamel tem o direito de não gostar de certos livros didáticos. Mas por que ele julga que sua capacidade de escolha deveria prevalecer sobre a de dezenas de milhares de professores? Seria ele mais capacitado para reconhecer obras didáticas de valor? E, se os milhares de professores que fazem a escolha, escolhem errado (conforme os critérios do sr. Ali Kamel), o que o MEC deveria fazer com esses professores? Demiti-los? Obrigá-los a adotar os livros preferidos pelas Organizações Globo? Internar os professores da rede pública em Gulags, campos de reeducação ideológica forçada para professores com simpatia pela esquerda política? Ou agir como em 1964?

Texto enviado a alguns meios de comunicação pela Editora Nova Geração e pelo autor do livro, Mario Schmit.

6 de outubro de 2007

Dezembro

Preciso de férias, mesmo.

E eu só reparei isso num dia em que eu tomei vários sustos bobos (pessoas andando normalmente pela rua me deram alguns sustos), quando eu, querendo pensar em ciclistas, pensei "circuistas" - isso existe? -, quando eu tropecei em lugares intropeçáveis, etc...

Quero sair, quero ir pra casa do meu pai (=O), quero dormir...

Dezembro precisa chegar rápido, pois estou ficando louco.

5 de outubro de 2007

Led Zeppelin

É notícia velha, mas não deixa de merecer espaço aqui no blog.
O Led Zeppelin, uma das maiores bandas de todos os tempos, voltará à ativa por um dia, em 26 de novembro, num show em tributo a Ahmet Ertegun, co-fundador da Atlantic Records, falecido em 2006. Jason Bonhan, filho de John Bohan, assumirá as baquetas no lugar do integrante original, que faleceu em 1980, ano em que a banda se aposentou.
Também se apresentarão Pete Townshend, Foreigner, Paolo Nutini e possivelmente Mick Jagger, todos acompanhados pela banda The Rhythm Kings, do ex-baixista dos Rolling Stones Bill Wyman.
Desde a morte de John Bonhan, o Led Zeppelin fez apenas dois shows. O primeiro foi em 1985, no Live Aid. O ultimo foi há 19 anos, em 1988, no aniversário de 40 anos da Atlantic Records.
Ainda não há nenhuma informação a respeito da exibição do show por parte de alguma emissora brasileira. Espero que alguma o transmita!!!

2 de outubro de 2007

Desculpas?

Acordo. Saio pra faculdade. Fico 4 horas numa sala ouvindo um ou dois senhor(es) ou senhora(s) falando um monte de coisas, as quais cerca de metade entra por um ouvido e sai pelo outro. Bandejo. Volto a ficar quatro horas noutra sala ouvindo coisas que, novamente, não se trancafiarão em meu cérebro. Volto pra casa. Janto. Durmo.

Começa outro dia, e a rotina se repete. Estou cansado, faço besteiras, que por vezes não admito, e continuo cansado. Um cansaço que vai comentao lugar de algo que antes era vazio. Mas que continua vazio: o cansaço ainda é um espaço vazio, um vetor nulo, como diriam os professores de Álgebra Linear. Um 0. Um O. Um o. Dá no mesmo.

Preciso sair, mas sempre falta tempo.
Preciso me divertir, mas a diversão é sempre supérflua.
É o nada preenchendo o vazio.

Por vezes, surge uma agulha no vazio. Mas ela é incapaz de bordar um cachecol, uma blusa, ou de fazer qualquer outra coisa que possa preencher o O. Ela apenas me cutuca, me incomoda. E eu continuo tentando fingir que lá não há nada, até porque não há nada mesmo. O 0 continua lá, me consumindo, me espetando, reciprocamente me ignorando.

Os planos, quando surgem, não saem da cabeça. E quando saem, dão errados. E nessas horas, eu entro num beco, encurralado por mim mesmo. Não consigo admitir que fiz algo errado. Não fiz algo errado. Não estou fazendo algo errado.

Talvez o problema seja se colocar no lugar de outrem, o que, nesses casos, malditos casos, eu não consigo. Acho que jamais conseguirei. E assim o vazio aumenta. Aumenta, preenche o todo. O o vira O, e não pára, pois eu o alimento, com mais o.

Independentemente de estar certo ou não, não pedirei desculpas. Lembram do beco? Eu sou o beco, eu sou a prisão: a grade, o chão, o teto, as paredes, e nem uma privada há, para que a água possa sair. Como posso pedir algo que eu mesmo não me daria? Isso soa contaditório pra mim, e com isso a prisão vai diminuindo sua área, as paredes vão se fechando. Mas não há com o que se preocupar, só há um O lá.

Sempre haverá um 0 lá. E ele está crescendo, o que até contrasta com as paredes, o chão e o teto se apertando. E essa situação perigosa não se acalma, apenas se torna pior.

Só falta a explosão...

27 de setembro de 2007

Doação

Hoje, 27 de setembro, é o Dia Nacional (ou Muncial, não sei exatamente) da Doação de Órgãos.

Por ano, milhares de pessoas são salvas com doações de órgãos dos mais diversos, como córneas, rins, fígados, corações e até pulmões!
Porém, outras milhares de pessoas morrem nas filas de espera, pois pouquíssimas pessoas se prontificam a doar órgãos e dessas algumas nem sequer comunicam os responsáveis, dificultando ainda mais a vida de quem está na fila.

Portanto, doe órgãos!
Coloque um papel na sua carteira deixando claro que, em caso de algum acidente fatal, seus órgãos podem ser doados. Desse modo, você poderá salvar muitas vidas!

25 de setembro de 2007

Let's dance

Amanhã tem prova de Álgebra Linear, mas, graças ao Chicão, que me deu álge... (ops,) vetores semestre passado, acho que eu irei bem na prova da velha dançarina. Infelizmente, o que mais me preocupa não é nem a matéria, mas não saber se a minha notação estará como a dançarina mal comida deseja.

Ah sim, só pra deixar registrado:
--> sexta-feira tem festa do P-SoL, mas eu não sou um dos organizadores (nem sei se irei, pra falar a verdade)
--> de amanhã até domingo acontecerá a Expo Music, o maior evento de música do Brasil. Vale a pena conferir, eu vou sábado lá (graças à Brasil 2000 ^^).
--> no sábado, no Snooker Bar, sito na Av. Bresser, a banda Tio Voodoo, da minha grande amiga Jesiquinha, láááááááá da quinta à oitava série, fará seu primeiro show a partir das 23 horas. Compareçam, a banda promete, segundo o flyer.

Quem desejar mais informações sobre os eventos acima, deixe um comentário ou envie-me um e-mail!

E um beijão enorme pra Jessiquinha, que eu não vejo há uns... hmmm... 10 anos, acho. Saudades! Até sábado!!!!

22 de setembro de 2007

Então... (21)

Me surpreende como os nossos governantes tem a capacidade para tornar péssimo um serviço que até pouquíssimo tempo atrás era excelente!

Me surpreende como um analista de transportes públicos responde a pergunta "quando foi a última vez que você andou de ônibus?" com um "depende", uma gaguejada, e depois começa a dizer que analistas de transportes não precisam usar o transporte público para saber que medidas tomar.

Talvez seja por isso que nós, usuários do transporte público, somos tratados como sacolas de supermercado, afinal, nem bois viajam de maneira tão ruim como nós, pois a carne deles valem mais dinheiro do que nós, pobres sacolas.

Infelizmente, não me surpreende que tais pessoas continuarão seus trabalhos de analistas de transportes públicos e que seus chefes, os que foram eleitos nos anos pares, continuarão (ou voltarão) ao poder em breve, seja como deputado, senador, vereador, prefeito, governador ou, quiça, presidente.

Me surpreende que só depois de um mês um professor percebe que seus alunos estão indo super mal na matéria, e que, só depois de 7 meses, ele descobriu que o livro que ele sugeriu no início dos dois semestres é péssimo para o nível dos alunos. Detalhe: a média da sala foi menor que 1 na primeira prova.

Não me surpreendeu a absolvição do Renan. Estava na cara que isso aconteceria. Mas me surpreendeu a reação de alguns parlamentares, que o defenderam e alguns que se omitiram. Coincidência ou não, foram as seis abstenções que livraram a cara do safado.

Não me surpreendeu também que o caso dos hospitais esquecidos pelos Governos, que matam por mês muito mais que qualquer acidente aéreo já matou no país, sejam deixados de lado, tanto pela nossa "gloriosa" (sic) mídia, como pelos "justos" (sic) governos municipais, estaduais e federal.

Me surpreendeu a quantidade de projetos de trens que pretendem ser construídos em menos de quatro anos (até 2010) para amenizar o pseudo-Cáos Aéreo. Além de tais prazos serem impossíveis, além de serem eleitoreiros, há muito mais obras que necessitam mais urgência, seja na área de transporte, seja na área de saúde, seja na área de educação, do que as que foram divulgadas.

Não me surpreendeu que o Dia Mundial Sem Carro caiu num sábado, dia que quase ninguém que tem carro tem que usá-lo para ir até o trabalho.

Além dessas, também não me surpreendeu que, nos Estados unidos, mais precisamente na cidade de Jena, com 3 mil habitantes, o racismo contra negros esteja tão impregnado numa sociedade ao ponto de um grup de negros poder ser preso por mais de 100 anos pelo mesmo crime que um grupo de brancos sequer ter uma pena que pode passar de 20 anos.

Ah sim, os negros espancaram um branco depois de terem sido postas cordas sugerindo o enforcamento de negros numa escola, numa "área para brancos" que foi "invadida" alguns dias antes por um negro.

Me surpreende a quantidade de erros e acidentes grotescos causados por um Consórcio de empreiteiras na obra da Linha Amarela do Metrô de São Paulo! Agora foi a vez de errarem no ponto de encontro dos túneis. Isso mostra o que dá deixar um grupo de gananciosos "cuidar" de uma obra desse porte, e já dá uma prévia do que acontecerá quando um outro grupo de gananciosos assumir a operação dessa linha. Ficaremos piores do que sacolas de mercado!!

Me surupreende que ao invés de estudar eu esteja postando esse texto. Mas é algo que eu precisava jogar pra fora. Enfim, quando comentarem, me chamem de burro, por favor.

15 de setembro de 2007

Ponte ORCA

Peço gentilmente a todos os que visitam esse blog, que moram em São Paulo e que venham a passar pela Estação Vila Madalena e/ou pela Estação Barra Funda que assinem, nas "barracas" das Pontes ORCA, um abaixo-assinado pedindo para que o trajeto Vila Madalena - Barra Funda volte ao horário antigo (mais informações abaixo).

O que aconteceu:
Diminuíram significativamente o horário de funcionamento da Ponte ORCA que liga a Barra Funda à Vila Madalena. Antes, esse serviço gratuito funcionava das 6:00 às 21:00. Agora, o Metro, a CPTM e a EMTU, alegando falta de usuários, diminuiu o funcionamento para das 6:00 às 9:30 e das 16:30 às 20:00, além de tirar um carro.

Quem teve essa idéia desconhece as alternativas para se fazer o mesmo traçado, que são o trem cheio e as 2 integrações e uma enorme volta de Metro, além, é claro, da integração com o ônibus. Também nunca utilizou o serviço por volta das 7 da manhã, quando chegam os trens da Luz, de Itapevi e de Franco da Rocha, pois a fila antes já ficava grande, agora eu prefiro nem ver...

Enfim, é mais um serviço que está sendo sucateado pelo Governo tucano. Vamos à luta! Por uma Ponte ORCA decente e em horário útil para toda a população!

11 de setembro de 2007

Uma pessoinha especial

Hoje é aniversário de uma pessoa que eu nem conheço pessoalmente, mas que, pelo pouco que conheço, já pude ver que é uma pessoa especial (até ganhou um post aqui!)

Ele é super gente fina, muito amigo, divertido, inteligente, pervo (XD), etc...
Não conheço uma pessoa que não goste dele, e, se existir alguma pessoa no mundo que preencha esse quesito, o azar é dela, que estará perdendo a chance de ter uma amizade com uma pessoa incrível!

Enfim, Vina, parabéns!
Desejo tudo de bom pra ti, muitas felicidades e muitos momentos pervos!

Abração

PS.: mesmo fazendo aniversário, continua pirralho! =P

7 de setembro de 2007

Você conhece esta palavra?

Hoje é um dia que você lerá/verá em vários jornais matérias acerca do dia em que nosso Imperador, depois de poluir um pouquinho o Rio Ipiranga, deu um grito que, dizem, fez muita diferença para o Brasil.

Alguns jornais irão mais longe, e contarão toda a história do nosso país, omitindo obviamente a parte anterior a 1500, mas mesmo assim citará muitos fatos e, com letras em negrito, citará o que comemoramos em todos os dias sete do nono mês de todos os anos desde 1822.

In.de.pen.den.te (adj): 1. Livre de qualquer de qualquer dependência ou sujeição; 2. Que tem meios próprios de subsistência; 3. Que tem autonômia política.

Isso é o que o meu Minidicionário Aurélio, em sua 3º edição e 11º reimpressão, classifica como independente. Já um outro dicionário que possuo, um Longman, em sua 4º edição e 5º impressão, de 2003, diz, no verbete "independence":

In.de.pen.dence (n): 1. Political freedom from control by the government of another country; 2. The time when a country becomes politically independent; 3. The freedom and ability to make your own decisions in life, without having to ask other people for permission, help or money.

Na minha opinião, o verbete do Longman é mais claro para definir "independência", mas isso não vem ao caso.

Hoje, estampados em todos os lugares, está: "7 de setembro: Dia da Independência do Brasil".
Aquele jornal que eu citei, que conta toda a história do Brasil, certamente dirá que alcançamos a Independência no dia 7 de setembro de 1822.

Mas eu lhe pergunto, caro leitor, que independência é essa que conseguimos?

Nossa "independência" não satisfaz nenhum dos seis verbetes aqui postados. Continuamos sujeitos às vontades do império americano e dos banqueiros e empresários de vários outros países. Continuamos não tendo meios próprios para sobreviver, dependendo de importações caríssimas (mesmo que exportemos muito do que seria útil aqui dentro). Continuamos nos sujeitando às ordens de países colonizadores como Portugal, Espanha, Inglaterra e, mais recentemente, EUA, entre outros (a diferença é que as ordens vem habilmente camufladas como pedidos). Continuamos sem poder decidir o que queremos, pois temos de pagar juros intermináveis de uma dívida escandalosa.

Enfim, comparando o último parágrafo com ambas as definições, fica claro que a nossa Independência, tão divulgada pela mídia, tão comemorada por nossos políticos, tão enfiada goela abaixo do povo, não existe.

Pergunto: você conhece a palavra "independência"?

Indago: quando, finalmente, poderemos ter a nossa?