26 de junho de 2007
I Open Brasil de Balonismo (3)
Que venham os próximos, aí quem sabe eu voe de balão, né?
Depois eu faço um post decente, okey? Até!
22 de junho de 2007
I Open Brasil de Balonismo (2)
Menor que o original, culpa do Blogger + Internet Explorer (desgraçados!)
O Campeonato de Balonismo tá super-legal!
Principalmente porque quase todos os pilotos e equipe organizadora são super gente-fina. Entre os pilotos, a mais legal é a Silvia Sorensen: super-simpática e talvez ainda me leve junto com ela no balão domingo!
17 de junho de 2007
I Open Brasil de Balonismo
E eu estarei lá! Calma... Eu não serei piloto de balão nenhum, apenas estarei na Equipe de Medição oficial do torneio!
Irei para Rio Claro na terça-feira e só volto no domingo. Portanto: dane-se a prova de Vetores, dane-se a prova de Cálculo!
Viva!!!
Então... (18)
O movimento esfriou nessa semana: os professores (traidores) suspenderam a greve depois que conseguiram o aumento de salário e o tal Decreto Declaratório. Os estudantes e funcionários já dão sinais de desgaste e indicam que estão perto de sair da Reitoria, só falta a Suely Vilela ter mais cabeça e fazer logo o documento atendendo as exigências deles.
Ontem teve mais um ato contra os decretos, que saiu do MASP e foi até a Secretaria de Ensino Superior. Não estava lá, mas pelo que me contaram, tinha 3 mil pessoas, o que é um número bastante razoável.
O P-SoL, quarta-feira passada (dia 6 de junho) entrou com uma Adin (Ação de Inconstitucionalidade) contra os decretos. Agora é esperar a decisão do STF.
Enquanto isso, na USP...
Agora tenho todas as aulas... Não que tivessem ocorridos muitos problemas com relação à greve (apenas o professor de Vetores - Chico Miraglia - aderiu), pode-se até dizer o contrário.
Porém, é chegada a época de provas finais das matérias que faço. Já essa semana será bem corrida: lista de Climato pra segunda, de Astro pra terça, P2 de Vetores quinta, e P3 de Cálculo 3 sexta. Na semana seguinte, tem a P3 de Física 2 e a prova de Climato na segunda, além das provas de Astro na terça e na quinta!
Em Cálculo eu já passei, mesmo sem aprender a matéria. Em Física eu estou indo até que bem, mas ainda não tenho as notas da P2, o que não me deixa muito tranquilo. Em Vetores, acho que vou passar, graças ao boi que o professor deu, além de não ser muito difícil aplicação linear (que é matéria de Álgebra Linear). Em Elementos de Astronomia, apesar de durmir em todas as aulas - quem manda o professor dar aula com slide? - estou indo bem na matéria. Em Climatologia a prova não deve ser muito difícil, e a matéria é legal (estatística!)
Só o semestre que vem que não será assim tão fácil... Sete matérias, todas muito complicadas! Que venha!!!
The Magic Numbers ao vivo no Brasil!
Sim, isso é verdade! A maravilhosa banda inglesa que toca músicas muito bonitinhas se apresentará no Indie Rock Festival no final de julho, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o show será dia 26, com abertura de Moptop e Hurtmold. O preço dos ingressos é de R$100,00 (pista), R$120,00 (mesa) e R$140,00 (camarote). Não está tão caro, vale a pena!
Eu vou, e você?
8 de junho de 2007
Ducentésimo
Em 200 posts, eu já falei muito sobre mim, já falei muito sobre alguns leitores, já falei sobre no que acredito e no que não acredito, já citei o Dia da Toalha, já mostrei fotos de grandes manifestações em prol de direitos sociais, já discuti provas de vestibulares, já xinguei professores, já elogiei outros, já fiz homenagens a alguns livros, já postei muitas estatísticas inúteis e algumas poucas úteis, já citei bastante os livros de Douglas Adams, já fiz rankings de música, de filmes e até de fatos, já contei sobre os meus três anos de ETECA, já disse sobre cálculos renais e matemáticos, já versei sobre canhotismo, já contei sobre a minha história até agora na USP, já falei de meteorologia, teve a Copa do Mundo, já falei de viagens, já protestei contra alguns Governos, já apoiei algumas atitudes de outros, já falei de muitos shows, de muitos amigos e até de alguns inimigos, já estudei, já ajudei a estudarem, já falei sobre a autonomia universitária, já falei sobre greve, já falei de imprensa parcial, já falei de aumento de passagem de ônibus, já falei sobre os shows que estão pra acontecer aqui no país, já até divulguei, antes de todo mundo, os preços dos ingressos de um mega-show internacional! Enfim... Do que eu ainda não falei?
São 200 posts distribuídos em 27 meses, ou 2,25 anos. O mês de novembro de 2005, com 14 posts, foi o mais movimentado, seguido pelos meses de outubro do mesmo ano e de junho e setembro de 2006. Os dois meses menos movimentados, com apenas duas postagens, são os de julho e agosto de 2005.
Sem considerar os meses de abril, maio e junho de 2007, o mês que acumula mais posts é o de Janeiro, com 20. Provavelmente, é reflexo das férias, aliado a comentários sobre vestibular.
O título mais repetido aqui no blog é o “Então...”: foram 17 posts com esse nome. Os assuntos que mais renderam postagens foram: os shows do Pearl Jam, em 2005 (23 posts!); os vestibulares que eu prestei há pouco mais de um ano (14 posts); a Copa do Mundo 2006 (10 posts); e as Eleições 2006 (8 posts).
Já foram postadas 78 fotos, 23 textos de outras autorias, pouco mais que 10 sites já passaram pela lista de favoritos aí na barra direita, foram 4750 visitas desde que a contagem começou, e, no total, o blog recebeu 6251 cliques. No primeiro post desse blog, estão 8 posts antigos do flog, que durou cerca de 4 meses. Ao todo, o blog recebeu 188 comentários. Os dois posts que receberam mais comentários foram: o que compara brigas em shows e em jogos de futebol (9 comentários); e o primeiro post sobre a luta contra o aumento das passagens (8 comentários). Também merece destaque o meu texto-poema para o Dia das Crianças (que recebeu 6 comentários) e o texto-poema sobre os primeiros ataques do PCC em 2005 (que também recebeu 6 comentários)
São números razoáveis para um blog que tem pouco mais de 2 anos e 200 posts, não é nenhum Kibe Loco, mas já é significativo. E ele ainda está de pé graças a você, caro internauta, que, mesmo com alguns posts de qualidade duvidosa, continua voltando aqui. Agora, diga, o que você quer ver aqui no blog? Deixe um comentário, exponha sua opinião!!!
5 de junho de 2007
Autonomia Universitária em jogo (2)
Na quinta-feira da semana passada, último dia do 5º mês do ano, dois importantes fatos agitaram a vida da Universidade e da sociedade como um todo. O primeiro deles, e talvez o mais importante, foi o Decreto Declaratório divulgado no Diário Oficial, em conjunto com uma carta dos Reitores da USP, da UNESP e da UNICAMP, que explica e faz pequenas alterações nos chamados Decretos do Serra, do início do ano.
A princípio, o Decreto Declaratório reestabelece a Autonomia Universitária, retirando, dos decretos anteriores, os artigos/incisos que transferem para a Secretaria de Ensino Superior funções administrativas e financeiras que devem ser das Universidades. Também retira o privilégio às "pesquisas operacionais" que as Universidades deveriam ter.
Até aí, está tudo okey. Porém, depois disso, pergunta-se:
1) Por que existe uma Secretaria que não manda nada? A Secretaria de Ensino Superior tinha como finalidade "cuidar" das Universidades, o que feria a Autonomia Universitária. Restaurada esta, a Secretaria fica sem nenhuma finalidade. Então, por que ela existe?
2) Por que o Ensino Público está distribuido em três Secretarias diferentes? O próprio tripé que mantém as Universidades está dividido em duas Secretarias! Por que as FATEC's, que oferecem Ensino Superior, não estão na Secretaria de Ensino Superior? Por que não se junta tudo numa coisa só?
3) Pessoas que trabalham com Turismo tem capacidade para trabalhar com Universidades? É importante ressaltar que a Secretaria de Ensino Superior surgiu com a mudança de nome da Secretaria de Turismo, e que, quem trabalha lá, é quem trabalhava antes. Isso não soa bem pra mim, e pra você?
Também é interessante lembrar que este Decreto foi publicado no mesmo dia em que yum grande ato estava marcado. Seria ele uma forma de tentar atingir o Movimento Estudantil?
Ato Contra os Decretos
Quinta-feira foi um dia atípico no IAG: as aulas já tinham sido suspensas no dia anterior, e uma Assembléia Geral, entre funcionários, professores e estudantes estava marcada para a manhã. E lá estavam os funcionários, os estudantes e alguns professores.
Com vinte minutos de atraso, a Profa. Rosmeri deu início à Assembléia, que fora marcada para que pudesse ser discutida a participação do Instituto no ato que aconteceria mais tarde. Antes disso, chegou a diretora do Instituto, que discutiu um pouco com a Profa. Rosmeri e com alguns alunos. Em seguida, ficou combinado que nessa semana aconteceria uma reunião entre os professores do Instituto para que uma posição perante a greve fosse tomada.
Saímos da Assembléia e fomos em passeata até a Reitoria ocupada nos juntar ao protesto. Foi aí que aconteceu o fato inacreditável Nº 1: os alunos, funcionários e professores do IAG, cerca de 100, FECHARAM a rua atrás do Instituto, que é razoavelmente movimentada. Alguns carros, em atos de total descontrole, pegaram a contramão para fugir do protesto.
Passeata que saiu do IAG.
Quando chegamos na Reitoria, chegamos exaltados, com o grito de guerra tradicional do Instituto: IA... Gêêê! E a “tia da greve” cometeu uma gafe muito feia: pensou que éramos da UNESP. Ah sim, tinha também um monte de jornalistas que tiraram fotos da “multidão” que chegou fazendo barulho:
Foto retirada do site do Estadão, de uando chegamos na Reitoria Ocupada.
Foto retirada do site do UOL, de uando chegamos na Reitoria Ocupada.
Aí aconteceu o fato inacreditável Nº 2: quando a “tia da greve” chamou o pessoal que era da FFLCH, poucos se manifestaram, da ECA, poucos, do IAG: vários! Até parecia uma multidão!! E cerca de pouco mais que metade da comitiva inicial permaneceram na Reitoria até a hora em que o protesto começou. Durante esse tempo, fizemos duas faixas, lá dentro da Reitoria:
Uma das faixas feitas na Reitoria.
A outra das faixas feitas na Reitoria.
Chegada a hora do ato começar, acontece o fato inacreditável Nº 3: o IAG fez parte do ato, e com um número considerável de pessoas! Não só isso: éramos os mais animados de um ato que, quando saiu da Reitoria, tinha cerca de 10 mil pessoas. Para se ter uma idéia de quantas pessoas lá estavam: dava para dar uma volta nas rotatórias da USP e ainda ficaria gente de fora!
Infelizmente, nós temos um Governador totalmente intransigente, que não se importa com as causas sociais e com os protestos da população, e que prefere se proteger numa bolha e, para tal, bloqueou todo o acesso ao Palácio dos Bandeirantes, que era onde o ato pretendia terminar, com policiais. Isso gerou um enorme congestionamento, pois os estudantes, funcionários e professores ficaram presos numa das principais vias da cidade (Av. Eusébio Matoso).
Panorama da manifestação e dos policiais que protegeram o Serra...
E que causaram um enorme congestionamento na cidade.
Durante as 5 horas em que ficamos parados no meio da rua, sem que a polícia nos deixasse passar, deu tempo pra fazer muita coisa: tirar foto dos policiais, subir no carro de som, ver o choque saindo de um lugar para chegar em outro, ver mais policiais chegando, ver um ônibus com letreiro Estação da Luz ficar parado e se esvaziar em todo esse tempo, comer pastel, conversar, dançar ao som da Bateria Alcalina, entre outros.
Infelizmente, o protesto não conseguiu nada. Voltamos em marcha até a Reitoria, onde aconteceu o fato inacreditável Nº 4: o IAG causou a ponto de ficar na frente da faixa principal do protesto. E também foi inacreditável que bastante gente do Instituto ficou até o fim do ato frustado! Palmas para nós!!!
A ocupação continua. A greve continua. Semana que vem o IAG deve decidir de uma vez por todas se entra ou não em greve. Mais algumas fotos do ato:
Um dos manifestantes trouxe o bom humor e a caricatura do Governador.
Bastante gente do IAG compareceu à manifestação! (Foto tirada sobre o carro de som.)
Bastante gente do IAG compareceu à manifestação! (Foto tirada sobre o carro de som.)
Comente!
28 de maio de 2007
Autonomia Universitária em jogo
Segue, portanto, texto de um Professor de Direito, de uma pessoa que conhece a Lei e as Constituições que regem a sociedade. Leiam com atenção, e pensem seriamente no assunto.
AUTONOMIA AGREDIDA
Dalmo de Abreu Dallari
O novo Governador do Estado de São Paulo, José Serra, iniciando o exercício de seu mandato no começo de 2007, editou um conjunto de decretos que parecem ter sido preparados de afogadilho e sem avaliação de suas conseqüências, tendo já acarretado algumas conseqüências negativas, estando neles a raiz da invasão da Reitoria da Universidade de São Paulo por estudantes daquela universidade. Seja qual for a opinião quanto à conveniência e oportunidade da invasão, o fato é que os decretos do Governador estão diretamente ligados àquele acontecimento. Talvez se diga que se os estudantes estivessem mais bem informados quanto ao exato conteúdo dos decretos e ao seu alcance poderiam manifestar desacordo, mas sem chegar àquela medida drástica, mas isso também revela a afoiteza e imprudência do governo na apresentação do fato consumado, sem maiores esclarecimentos. Na realidade, a análise jurídica dos referidos decretos leva à conclusão de que existem ali algumas evidentes inconstitucionalidades, havendo mesmo, em alguns pontos, uma tentativa de mascarar a realidade, por meio de uma espécie de ilusionismo jurídico, que, no entanto, não resiste a um exame mais atento, mesmo que baseado apenas no bom senso e na lógica. Bastaria observar que no dia 1º de janeiro de 2007 o novo Governador já emitiu extensos decretos, eliminando e criando Secretarias na organização administrativa superior do Estado, para tanto exercendo atribuições que não são do Executivo, mas da Assembléia Legislativa do Estado. É oportuno lembrar que o decreto é ato administrativo, que o Chefe do Executivo pode praticar para fixar regras de caráter regulamentar, mas que só têm validade e força jurídica se não contrariarem qualquer dispositivo da Constituição ou de alguma lei. E isso não foi observado.
Um desses decretos, o de número 51.460, de 1º de janeiro de 2007, pode ser considerado extremamente audacioso, pois expressa uma tentativa de alterar pontos substanciais da ordem pública pública, criando e extinguindo órgãos de grande relevância na organização administrativa fundamental do Estado, fingindo que só estão sendo mudados os nomes de alguns desses órgãos, sem nenhuma consideração pelos objetivos que inspiraram a criação desses órgãos e pelas características de suas organização, bem como pela especialização de seus quadros. A par desse absurdo, ocorrem ainda agressões a normas constitucionais expressas e já tradicionais no sistema constitucional brasileiro, como as que consagram a autonomia das Universidades públicas. A mais absurda dessas investidas contra a Constituição e o bom senso é a que consta do artigo 1º, inciso III, desse decreto, cuja redação é mais do que eloqüente na denúncia do absurdo:
“Artigo 1º. A denominação das Secretarias de Estado a seguir relacionadas fica alterada na seguinte conformidade:
..............................................................................................................................
III. de Secretaria de Turismo para Secretaria de Ensino Superior.”
Essa pretensa mudança de nome é uma aberração mais do que óbvia, pois o nome identifica toda uma estrutura, criada para atingir objetivos determinados e organizada para atingir essa finalidade. É do mais elementar bom senso que tendo sido criada para fomentar o turismo aquela Secretaria foi organizada de modo a poder atuar na área do turismo, com órgãos adaptados às características dessa área e, obviamente, com um funcionalismo especializado nesse setor de atividades. Se o Governador alegar que vai aproveitar a mesma organização e os mesmos funcionários estará afirmando um absurdo, pois ninguém será tão tolo a ponto de admitir que o mesmo dispositivo criado para atuar no turismo será competente e eficiente para desempenhar atividades de apoio e fomento à Educação Superior. E se disser que haverá completa alteração da estrutura organizacional e substituição do funcionalismo por outro capacitado para agir na área da Educação Superior, criando-se os cargos indispensáveis para tanto, estará confessando a fraude, a extinção de uma Secretaria e a criação de outra sob o simulacro de mudança de nome. Isso, além de tudo, configura uma inconstitucionalidade em face da Constituição do Estado de São Paulo.
Na realidade, a Constituição paulista dispõe, no artigo 24, parágrafo 2º, que “compete exclusivamente ao Governador do Estado a iniciativa das leis que disponham sobre:...2) criação e extinção de Secretarias de Estado e órgãos da administração pública, observado o disposto no artigo 47, XIX”. Segundo este último dispositivo, enxertado na Constituição do Estado pela Emenda Constitucional nº 21, de 2006, o Governador poderá dispor, mediante decreto, sobre organização e funcionamento da administração estadual, quando não implicar aumento de despesa, nem criação ou extinção de órgãos públicos. Ora, para que a Secretaria de Educação Superior possa agir com a mínima eficiência no âmbito da Educação é indispensável a existência de órgãos e servidores adequados e capacitados para esse objetivo, o que, evidentemente, não foi feito quando se criou a Secretaria de Turismo. A prova disso é que por meio de outro decreto, o de número 51461, também de 1º de Janeiro de 2007, o Governador do Estado definiu a organização da Secretaria de Educação Superior, ali incluindo muitos órgãos que, por motivos óbvios, não existiam nem existem na Secretaria de Turismo.
Em sentido oposto à necessidade de criação de órgãos e de cargos para especialistas em educação, é evidente que muitos órgãos, ligados ao turismo, ficarão inúteis, por absoluta inadequação, com a simulação da simples mudança de objetivos, impondo-se a extinção de tais órgãos, pela exigência óbvia de eliminação de despesas inúteis. Acrescente-se que com a simulação de simples mudança de nome da Secretaria, tentando ocultar a extinção de uma e a criação de outra, o Governador ofendeu a Constituição do Estado de São Paulo. De fato, pelo artigo 19, inciso VI, da Constituição, compete à Assembléia Legislação, com a sanção do Governador do Estado, dispor sobre a criação e extinção de Secretarias do Estado. Ou seja, esses atos exigem a aprovação de uma lei pela Assembléia Legislativa, não podendo ser praticados por decreto.
Outro ponto fundamental, relacionado com os decretos pelo atual Governador do Estado, é a ofensa à autonomia das Universidades Públicas, que tem apoio na Constituição da República e já constitui uma tradição no sistema público de educação superior no Brasil. Para que isso fique evidente, é oportuno lembrar o que dispõe a Constituição brasileira de 1988 sobre a autonomia das Universidades:
“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.” Autonomia é expressão de origem grega, que indica o direito de agir independentemente, com suas próprias leis, tendo-se consagrado na linguagem política, jurídica e administrativa brasileira como sinônimo de auto-governo e auto-determinação. A autonomia das universidades foi uma conquista que atravessou várias etapas, incluindo a luta pela libertação de limitações à busca de conhecimentos e à afirmação de novas verdades científicas impostas por motivos religiosos. Em séculos mais recentes, a luta pela autonomia na busca e aquisição e transmissão de conhecimentos teve por meta a eliminação das limitações e dos condicionamentos impostos por motivos de conveniência política ou por intolerância e ignorância de governantes. Como parte da luta pela autonomia, colocou-se a exigência de apoio financeiro e de plena liberdade nas decisões sobre os objetivos e o modo de utilização dos recursos recebidos, para que prepondere sempre o interesse da humanidade, que deve ser o parâmetro superior da comunidade universitária.
Quanto ao sentido e à importância da autonomia, vem a propósito lembrar as observações feitas por dois notáveis juristas brasileiros que se detiveram no estudo do assunto e que com palavras claras e incisivas registraram suas conclusões. Um deles é Hely Lopes Meirelles, uma das mais importantes figuras do Direito Administrativo brasileiro, que, em estudo elaborado no ano de 1989, tendo em conta ameaças feitas à autonomia da Universidade Federal Fluminense, assim se expressou: “Na atual conjuntura, em face do artigo 207 da Constituição da República, “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. É a carta de alforria dessa instituições educacionais, que, ao longo do tempo, estiveram, muitas vezes, jungidas aos interesses eleitoreiros e imediatistas de quantos se arvoraram “tutores” da universidade.”
Outro notável mestre do Direito Público brasileiro, Caio Tácito, que foi professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em estudo publicado na Revista de Direito Administrativo, também no ano de 1989, discorreu, com clareza didática, sobre o significado e o alcance da autonomia universitária. Eis as palavras do mestre:
“A universidade deve nascer, viver e conviver sob o signo da autonomia, que é um conceito multilateral. Primordialmente, autonomia científico-pedagógica, porque é da essência da instituição universitária criar, pesquisar, ordenar e transmitir o conhecimento, como elemento fundamental para difundir a educação e fomentar a cultura. Essa missão básica da universidade pressupõe, no entanto, a disponibilidade de meios flexíveis e satisfatórios à plenitude da concreção de seus fins. Daí a necessidade de estender-se o princípio da autonomia aos meios de operação, consistentes na autonomia patrimonial, autonomia orçamentária e financeira, autonomia administrativa e autonomia disciplinar.”.
A Constituição do Estado de São Paulo reproduz a garantia de autonomia das universidades, coerente com o disposto na Constituição da República, adicionando alguns pontos que é oportuno conhecer. Dispõe a Constituição paulista, no artigo 154, que “a autonomia da universidade será exercida respeitando, nos termos do seu estatuto, a necessária democratização do ensino e a responsabilidade pública da instituição, observados os seguintes princípios: I. utilização dos recursos de forma a ampliar o atendimento da demanda social, tanto mediante cursos regulares quanto atividades de extensão; II. representação e participação de todos os segmentos da comunidade interna nos órgãos decisórios e na escolha dos dirigentes, na forma de seus estatutos.”
Um ponto muito evidente, é que pelo próprio conceito de autonomia, como foi consagrado no sistema Constitucional brasileiro, assim como pelas disposições expressas das Constituições da República e do Estado de São Paulo, cabe à Universidade, exclusivamente e sem qualquer interferência externa, definir suas prioridades e suas diretrizes. Isso implica, também, a competência exclusiva da universidade para definir suas atividades de estudo e pesquisa, sem nenhuma interferência, a qualquer título, de órgãos da administração pública estadual. Por esse ponto fica evidenciada a inconstitucionalidade do decreto estadual nº 51.461, de 1º de janeiro de 2007, que pretendeu dar à Secretaria de Ensino Superior uma série de atribuições que são exclusivas da universidade, porque inseridas no âmbito de sua autonomia. Com efeito, o artigo 2º do decreto diz que constitui o campo funcional da Secretaria de Ensino Superior “a proposição de políticas e diretrizes para o ensino superior em todos os seus níveis”. Como já foi demonstrado, a própria criação da Secretaria de Ensino Superior configura uma inconstitucionalidade, que é agravada pela atribuição àquela Secretaria de funções exclusivas da universidade e que esta tem o direito de exercer com autonomia.
Muitos outros pontos, que significam agressões à autonomia universitária, poderão ser apontados nos infelizes decretos editados pelo Governador do Estado no ano de 2007. Uma referência final deve ser feita a agressões à autonomia financeira da Universidade. Como já foi amplamente demonstrado, a autonomia compreende, necessariamente, a autonomia financeira, que, por sua vez, compreende o direito de receber recursos financeiros do Estado e de lhes dar destinação, pelo modo e no momento que a Universidade, por seus órgãos internos próprios, julgar adequados. Constitui agressão à autonomia da Universidade a sonegação desses recursos que lhe são legalmente assegurados, sendo inadmissível que por conveniência política ou administrativa o governo do Estado retenha esses recursos, mediante o artifício que se convencionou chamar “contingenciamento”, tentando ocultar a realidade da sonegação. A Universidade tem direito constitucional à autonomia e deve posicionar-se firmemente contra todos os artifícios tendentes a diminuição ou negação dessa autonomia.
26 de maio de 2007
Festa da Virada (2)
Conforme prometido, aqui está o post sobre a Festa da Virada, que aconteceu há duas semanas atrás, no dia 13 de maio, na Praça da Sé. Primeiramente, os meus parabéns à Prefeitura da Cidade de São Paulo, por organizar mais um evento muito legal, que leva a Cultura aos paulistanos, de graça.
Mas nem tudo foram rosas... Cheguei lá pouco antes das 18:00, horário em que estava marcado o show do Pato Fu. Deu o horário, e nada de ninguém entrar no palco. Por volta das 18:20, Alceu Valença, que deveria ter tocado uma hora antes, entrou no palco.
Ele fez um show razoavelmente bom, mas que terminou de um modo muito broxante: enquanto boa parte da galera cantava versos de uma música, pedindo para que ele tocasse, ele disse: "bom, vocês já estão cantando, não preciso tocar mais nada!". Lamentável... Desrespeito!
Em seguida, foi anunciado que tocaria Andrew Tosh! Opa! Peraí, ele nem estava na programação!!! Foi nessa hora em que eu e meus amigos fomos a um bar tomar uma cervejinha. Voltamos meia hora depois, poucos minutos antes do Pato Fu entrar no palco.
Eles fizeram um show razoavelmente bom, mas com pouca animação. Tal falta de animação foi ainda piorada por fãs do Teatro Mágico, que começaram a soltar bexigas e ficaram fazendo brincadeiras que impediam o acompanhamento da banda que estava no palco.
Saíram os patos, vieram os... Metaleiros! Que não tocariam naquele evento!!! E, pior de tudo, era uma banda muito horrível!!!! O show só teve um ponto bom: a última música era decente e teve a participação do vocalista do Velhas Virgens. Fala sério: Velhas Virgens é foda! Melhorou em muito o show!
Em seguida tocou Skowa e a Máfia. Mas para que eles tocassem, foi necessária a entrada do vocal do Teatro Mágico para que o público se acalmasse. Essa banda, de blues, é "boazinha", e os backing vocals tem umas coreografias muito engraçadas!
Mas seria muito melhor se o Teatro Mágico tocasse às 19:00, no horário marcado. Enfim, às 22:15, eles entraram no palco. Sim, três horas e quinze de atraso. Tocaram para... Bexigas! Foi eles entrarem no palco para que os malditos fãs da banda levantassem um monte de bexiga branca, ou seja, só assistiu ao show quem estava na primeira fila.
O show foi ruim porque durou meia hora e eles tocaram pouquíssimas músicas, e, dessa vez, elas não conseguiram me empolgar. O show foi bom porque eles falaram uma boa verdade sobre os fãs de rap, sobre os Racionais MC's e sobre a imprensa, que distorceu completamente os fatos que tinham acontecido na semana anterior. Ou seja, o show foi razoável. Não valeu a pena toda a espera.
Que venha a Virada Cultural 2008. Eu estarei lá!!!
19 de maio de 2007
Então... (17)
E na quinta-feira eu talvez tenha a P2 de Vetores. Talvez pois ainda não sei se ela realmente ocorrerá, pois a ADUSP decidirá na quarta-feira se entrará em greve a partir da quinta e meu professor será um dos que cruzarão os braços caso a decisão tomada seja sim.
Falando em greve: sou a favor da greve, mas acho que ela deveria vir depois da reunião do Conselho Universitário, que deliberará uma posição contra os absurdos decretos do Serra. Digo mais: acredito que os professores/funcionários que não aderirem à greve não lutam por uma universidade decente.
Como foi falado numa reunião no IAG sobre o assunto: ouvimos nossos pais dizerem que no tempo deles a Educação Básica (pública) era excelente, enquanto a nossa não é. Por acaso queremos que nossos filhos não tenham sequer um Ensino Superior (público) decente? Se a resposta for não, pense bem sobre os decretos.
E lembro a todos que fui completamente a favor da Ocupação da Reitoria. Foi tentado um diálogo antes, mas, na impossibilidade dele, se mostrou necessária tal atitude que, a princípio, gerou resultado: a principal questão em jogo (a posição da reitoria e do Conselho Universitário acerca dos decretos do Serra) foi, a meu ver, atendida. Porém, a partir desse instante, a ocupação, na minha opinião, se alongou mais do que o necessário, e a desocupação já deveria ter acontecido.
No próximo fim-de-semana, eu falo sobre a Festa da Virada e sobre o que aconteceu nessa semana.
Lembrando que, na quarta, haverá um ato do funcionalismo público na Paulista. No sábado acontecerá, na USP, a já tradicional Corrida de Rolimã. Vamos lá?
12 de maio de 2007
Festa da Virada
15h - Intervenções de teatro de rua e circo
15h30 - Troupe Djembedon
16h - Karnak (com participação da cantora Ângela Maria)
17h - Alceu Valença
18h - Pato Fu
19h - Teatro Mágico
20h - Moraes Moreira e Armandinho
21h - Leci Brandão (com participação de Germano Matias)
22h - Skowa e a Máfia com participação do apresentador João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão)
Lembrando que todos esses shows são gratuitos!